Matheus Cunha oferece solução para o ataque do Brasil, mas lesão pode abrir caminho para jovem
Matheus Cunha marcou duas vezes e ajudou o Brasil a garantir uma vitória de 3 a 0 sobre o Haiti na Copa do Mundo, mas uma lesão em Raphinha pode mudar seu papel na equipe.

Após um início titubeante contra o Marrocos, o Brasil finalmente deu início à sua festa na Copa do Mundo. Uma vitória de 3 a 0 sobre o Haiti foi exatamente o que a Seleção precisava após uma apresentação pouco convincente e desequilibrada no jogo de abertura. Embora os nomes mais conhecidos tenham comandado a ação, foi uma solução improvisada que desbloqueou a defesa adversária. Matheus Cunha, normalmente utilizado como ala pelo Manchester United, foi escalado para comandar o ataque em Filadélfia. Enquanto Raphinha e Vinicius Jr. brilharam no começo, o jogador de 27 anos abriu o placar, recuando para criar a jogada e conseguindo marcar com a ajuda do defensor haitiano Hannes Delcroix. O "ala-que-virou-atacante" logo fez seu segundo gol, fazendo uma corrida inteligente por trás de uma defesa haitiana que estava longe de ser eficiente, e deixou a sua marca com um belo chute, praticamente decidindo a partida. Com isso, o Brasil estava 2 a 0 à frente sem precisar acelerar o jogo, e logo adicionou um terceiro gol quando Vini Jr. disparou para aproveitar um passe de Lucas Paquetá e deslizar para uma finalização precisa. Para Cunha, que havia começado no banco contra o Marrocos, foi uma boa oportunidade para mostrar que merece a camisa 9, já que seu posicionamento ajudou a criar mais espaço para seus companheiros de ataque. No entanto, é importante lembrar que este jogo foi contra uma das seleções de menor ranking do torneio, e seus gols foram apenas os segundos e terceiros com a famosa camisa da Seleção, apesar de já ter sido utilizado como atacante em outras oportunidades. Embora tenha mostrado habilidade para finalizar chances complicadas em seu clube, ainda não temos evidências suficientes para afirmar que Cunha pode atuar como um atacante de alto nível, cumprindo o que a equipe precisa de um número 9. Poderia ele oferecer uma performance clássica de atacante, ou ser uma opção quando o Brasil enfrentar um adversário mais forte? Essas perguntas permanecem sem resposta, mas sua apresentação foi um passo na direção certa, com desafios mais difíceis à frente, como o duelo contra a Escócia na última partida do grupo e um possível confronto de mata-mata contra uma seleção como o Japão. Além disso, a ideia de que a Seleção pode ter encontrado a solução para o problema do atacante pode ser postergada por enquanto. Uma lesão em Raphinha, que foi substituído no final do primeiro tempo com uma suspeita de lesão na coxa, pode significar que Cunha terá sua passagem como atacante mais curta do que esperava. Curiosamente, Ancelotti evitou afirmar que encontrou a solução para a questão do ataque em sua coletiva pós-jogo, preferindo manter suas opções em segredo. O treinador comentou que Raphinha saiu devido a um desconforto na coxa, mas se o jogador do Barcelona for descartado para jogos mais importantes, Ancelotti pode se ver obrigado a utilizar Cunha na ala direita em vez de optar por Gabriel Martinelli ou Rayan. Se isso acontecer, pode abrir a chance para um dos favoritos da torcida assumir a posição de centroavante. O atacante do Real Madrid, Endrick, que terminou a última temporada emprestado ao Lyon, é uma escolha popular entre os torcedores da Seleção, e o maior aplauso do dia foi reservado para quando o jovem de 19 anos entrou no lugar de Cunha, e novamente quando seu nome foi anunciado no estádio. Muitos fãs desejam ver mais do jogador que Ancelotti classificou como um "talento extraordinário", mas ele encontrou dificuldades para ganhar espaço desde que o italiano assumiu, não sendo convocado para os últimos quatro amistosos de 2025, antes de jogar 14 minutos na vitória sobre a Croácia e 45 minutos contra Panamá e Egito nos amistosos preparatórios. Um total de cinco gols em 16 partidas na Ligue 1 parece não ser suficiente para Ancelotti confiar suas expectativas em Endrick, que também não entrou como opção no empate contra o Marrocos. Há grandes esperanças para o jovem, mas o atual técnico do Brasil é, sem dúvida, um dos mais capacitados para avaliar se ele está pronto para a pressão que ser uma figura central da Seleção impõe a um jogador. No entanto, houve lampejos de sua habilidade quando entrou em campo em Filadélfia, com uma boa corrida e um gol bem executado que acabou sendo anulado por impedimento, mas que mostrou um pouco do que o jovem de 19 anos pode oferecer como alternativa a Cunha ou Igor Thiago. Atualmente, o garoto se apresenta como uma proposta interessante para a posição de número 9, especialmente devido à lesão de Raphinha. Ancelotti já afirmou anteriormente que "trará Endrick no momento certo", acrescentando que "ele será importante nesta Copa do Mundo". O italiano continua experimentando com sua equipe na busca pela fórmula ideal, mas com muita incerteza ainda presente no grupo brasileiro, talvez o ‘momento’ de Endrick chegue mais cedo do que se imagina.